Ser Homem Negro na diáspora

Texto publicado originalmente no Instagram @sankofa_terapia em 21 de Março de 2019

No processo de se pensar – e repensar – homem negro na diáspora brasileira, geralmente a consciência política também é aflorada. Tratando-se de família, este homem repensará também sua relação com os modelos que teve com seus pais e automaticamente o pai (e exemplo) que deseja ser. E como homem não gera, sua relação com o ventre sagrado também deve ser trazida para os espaços de resignificação. Combater o racismo muitas vezes é uma atitude de cuidado e carinho consigo e com aqueles que você é responsável. Ajudar na criação de crianças saudáveis e fortalecidas pelo amor talvez seja uma das maiores revoluções que se pode proporcionar aos novos sereszinhos.
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#homensnegros

O começo

Escrever é comunicar. Comunicar é organizar-se, para si e para o outro. Dentre os sonhos humanos mais cobiçados está o sentimento de unicidade e importância – sentimento esse pouco problematizado, já que esta sensação também perpassa também pelo Outro, uma vez que somos seres sociais. Salvo algumas patologias narcísicas, somos seres dependentes da experiência coletiva. Este Blog tem a ideia de uma construção coletiva, ainda que seja escrito por um só homem! Uma proposta alinhada a um coletivo ancestral. Uma tentativa enquanto Psicólogo, de expor minha experiência no acolhimento de pessoas impactadas com o racismo, ou “apenas” o desvendamento do experiência de negros e negras em uma terra diaspórica. a conmtinuidade do Sonho Humano de milhares de escravizados que fizeram a travessia do Atlântico durante o tráfico negreiro. É uma tentativa. Um ir e vir, assim como o oceano que trouxe pessoas que não tinham o plano de viver aqui. Porém, ao pisar por aqui ensaiaram reescrever sua história, através de adaptações, enganos, improvisos, acertos e erros.

Sou Vinicius Dias, psicólogo, e ouço muitas histórias. É daí, destas histórias, que surge a certeza de que este não é um sonho solo: afetado pela fala do outro, manifesto dores e delícias de um sonho meu e de milhões.

No decorrer de minha profissão (lá se vão 8 anos) os temas de uma psicologia política e social sempre me chamaram a atenção. Isso me deu a vantagem de ter, para além da escuta, percepções comunitárias e sociais nos sujeitos de quem estive próximo. Atualmente estudo os impactos do racismo na saúde mental de sujeitos negros no Brasil, pois percebi que o pano de fundo de muitas relações de gênero e de classe são perpassadas pelas relações de cor, um emaranhado complexo na formação deste país.

A ideia, então, é escrever sobre vivências negras num país que pouco falou da verdadeira história de seu povo, de seus heróis, dos povos negros e indígenas. Afinal falar é ser sujeito de sua própria narrativa – portanto, não ser refém da enunciação do Outro.

Convido você que se sinta à vontade para enviar textos, trocar idéias e construir quilombos de possibilidades comigo.

Sintam-se a vontade!